14 de Ago de 2008

As séries em DVD do Poirot fazem, neste tempo de férias, as minhas delícias. A cuidadosa recriação dos ambientes do período entre guerras, com irresistíveis incursões por terrenos exóticos do Próximo Oriente, Egipto, Mesopotâmia, Turquia, Rodes; as excelentes adaptações dos enredos de Agatha Christie; as notáveis representações de um naipe de actores que reconheço de outros trabalhos da BBC, de qualidade inquestionável; tudo se conjuga para me proporcionar momentos de perfeito entretenimento. Também as personagens principais superam as expectativas: a figura severa e dinâmica, adequadamente susceptível, do Chief Inspector Japp, o exemplo acabado do cão que ladra, mas não morde; a eficiente Miss Lemon, não isenta de tentações de ironia contra as pequenas manias do patrão; o extraordinário Poirot, tão quadrado nos seus obsessivos apegos à ordem e à simetria, quanto redondo nos brilhantes exercícios das «little grey cells»; e, sobretudo, o capitão Hastings, o sócio, cuja candura e tom genuinamente insular me arrancam gargalhadas, compõem um quarteto único, que não desmerece o quadro inspirador. David Suchet consegue encarnar um Poirot expressivíssimo, que já substituiu, na minha imaginação, o original dos livros. Não posso, enfim, ignorar o agradável efeito que a história policial tem nos meus próprios neurónios. Acompanhá-la, no ecrã televisivo ou nas páginas de um romance, exalta-me as faculdades de detecção e de interpretação de sinais: estou atenta ao detalhe, identifico as pistas e só raramente não descubro o culpado. Mas a zona do cérebro que acomoda a memória está em descanso. E a história que hoje conheci, amanhã esqueci. Razão por que já planeio rever a matéria – o que será como vê-la pela primeira vez - no Verão de 2009, ocupando com ela essas tardes sobreaquecidas, em que só em casa me sinto bem, beberricando os chás gelados que me impedem de cair no letargo da estivação. Entretanto, enquanto 2008 não alivia, passo ao ataque da Miss Marple.

15 comentários:

cristina ribeiro disse...

Invertemos a ordem de visionamento, Luísa. Comecei pela Miss Marple, um personagem que me fascinou quando li os livros, mas tenho no horizonte Poirot :)

Anónimo disse...

A propósito de Agatha Christie, convido você e a todos para conhecerem dois blogs recém-lançados...

A Casa Torta: O Mundo de Agatha Christie
http://acasatorta.wordpress.com

Cinema é Magia
http://cinemagia.wordpress.com

Um abraço.

JúliaML disse...

eu também gosto muito da personagem :-)

e lembrar que Agatha Christie concebeu essas histórias todas enquanto lavava a loiça? sinuosa, a nossa mente... hummm

ana v. disse...

Também sou fã da Agatha Christie, sobretudo da personagem Poirot. E o mais engraçado é que David Suchet corresponde exactamente ao Poirot que eu imaginava. Lembro-me de outro actor - Peter Ustinov - que fez de Poirot no filme Morte no Nilo, mas acho este muito mais convincente.
Belo programa de férias, Luísa.

Luísa disse...

Atenção, Cristina, que já há mais do que uma Miss Marple. Das que conheço, a mais velhinha, representada pela actriz Joan Hickson, é muito clássica. Já as versões da mais nova, representada pela actriz Geraldine McEwan, cedem, por vezes, a algumas ousadias de costumes. Mas são ambas interessantes, cada uma no seu género. :-)

Já lá estive, para concluir que merecem uma exploração mais atenta e com tempo. Obrigada pela informação.

São insondáveis os mecanismos da imaginação e frequentemente extraordinárias, até inconfessáveis, as circunstâncias que os põem em movimento, Júlia. Importa é ter um caderninho sempre à mão, para que as ideias não se percam. :-)

Lembro-me de um terceiro, Ana, de que também não desgostei, que representou o Poirot na versão do Murder on the Orient Express de 1974: o Albert Finney. Mas, mais de que ele, valeu o elenco de luxo, com Sean Connery, John Gielgud, Vanessa Redgrave, Michael York, Anthony Perkins, Lauren Bacall, Ingrid Bergman… É, ainda hoje, um dos meus filmes preferidos… e não estou apenas a considerar policiais… :-)

JúliaML disse...

pois...mas eu sou daquelas desorganizada, perco tudo...perco os cadernihos todos também,embora às vezes os compre, não adianta, já se vê :-(

ana v. disse...

Ah, tem razão, Luísa: esse era também um óptimo Poirot, muito belga! E todo o filme é delicioso, com um lote de actores de luxo e cenários fantásticos. Também já o vi várias vezes, e é dos que não cansam, mesmo sabendo-se o fim.

Bic Laranja disse...

Eis aqui tudo o que não consegui dizer sobre o Poirot. Obrigado por expressá-lo. Cumpts.

Daniela Major disse...

O Poirot é um dos melhores detetives da ficção de sempre. E foi por causa dele que ganhei o gosto pela leitura e pelos livros policiais.
Está muito mais desenvolvido que S. Holmes e é muito mais simpático. Impossivel não gostar dele.

Luísa disse...

Também me acontece, Júlia. Ou, pior ainda, esquecer o que devia anotar para não esquecer, e andar dias a fio a tentar recuperar a ideia. Mas a necessidade faz o engenho e já vou conseguindo organizar-me.
:-)

É desse filme, Ana, que data a minha ambição de viajar um dia no Expresso do Oriente. Mas acho que nunca hei-de concretizá-la. Não tenho «toilettes» à altura. ;-D

Geralmente, caro Bic, gosto mais dos livros do que das suas adaptações ao pequeno ou grande ecrã. Mas, neste caso, nem sei… :-)

Luísa disse...

Sabe, Daniela, que foi quase à custa da leitura dos Poirots de Agatha Christie que aprendi inglês. No meu tempo, o inglês só era dado entre o 6.º e o 9.º anos do liceu, porque o francês tinha ainda a primazia. Mas a escrita simples da autora e uma curiosidade irresistível no desfecho dos mistérios foram motivações suficientes para que lesse a obra completa na língua original e ganhasse algum domínio dela… mais escrita do que falada, mas enfim. :-)
Obrigada pela sua visita.

T disse...

Gosto muito dessa nova Miss Marple e do novo Poirot:)
Comprei-os todos e estou sempre a emprestá-los, é engraçado porque já fizeram as férias de vários amigos.
Mas se conseguir veja o Prime Suspect que é uma série policial inglesa FANTÁSTICA. Com a Helen Mirren, claro:)
Beijinhos

Luísa disse...

Vou seguir o seu conselho, T. Não há como um bom filme policial para preencher e livrar de preocupações uma tarde ou um serão preguiçoso. :-)

T disse...

Um bom livro ou filme policial fazem de mim uma mulher feliz:)
Beijinhos

Luísa disse...

:-)

Assin.: Luísa


Agora juntando também um sopro fraco mas entusiasmado às Brisas, Nortadas e Furacões da Porta do Vento.


Com os meus agradecimentos:



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